sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sob a lua



Ontem vi a lua linda
como nunca pude ver;
penso em você, o tudo que ainda
me importa querer...
Me importa sentir
a pele de sol, o cheiro de mar.
Inútil é fugir,
bobagem fingir
que não compensa gostar.

Eu peço, regresse!
Aproveita o luar!
Meu céu entristece
quando fico a esperar.
Pra que chegue e se achegue
não exijo razão...
Vem como a lua, leveza,
suave beleza,
minha inspiração.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Ano Novo






Parei por dez minutos para pensar
no que desejaria aos amigos no ano novo...
sentimento até sincero, frases freitas,
intenções repetidas.
O que há de novo para desejar àqueles que amo?

Parei por quarenta minutos para fazer
a habitual retrospectiva dos tropeços,
do que deu errado no ano velho...
Mesma coisa: mesmos erros, mesmos planos,
mesmo jeito, mesma espera de todos os anos...
O que há de novo para que eu faça?

Parei por uma hora para listar
minhas novas resoluções...
A dificuldade em torná-las diferentes das anteriores
me assusta...

Perdi duas horas, que não voltarão.

O que fazer para criar uma lista totalmente nova?
O que fazer para não lamentar, em doze meses,
as mesmas falhas?
A resposta está na pergunta...
Fazer, não perguntar.
A vida é muda.
E ela só muda, se eu me calar e decidir viver.

Aos amigos,
Feliz dia novo!
Recomeço todo dia.
Menos barulho, mais ação.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O que faz valer a pena?

O momento singular
e só nosso,
tão puro,
tão efêmero.

Fica na mente,
na pele,
no som da respiração;
fica pra sempre
a sensação
de que viver,
de que estar
e experimentar
faz do obstáculo
um pequenino detalhe.

O momento único

"Esta manhã, casais de borboletas brancas, douradas, azuis, passam inúmeras contra o fundo de bambus e samambaias da montanha.

É um prazer para mim vê-las voar, não o seria, porém, pregá-las em um quadro... Eu não quisera guardar delas senão a impressão viva, o frêmito de alegria da natureza, quando elas cruzam o ar, agitando as flores. Em uma coleção, é certo, eu as teria sempre diante da vista, mortas, porém, como uma poeira conservada junta pelas cores sem vida... O modo único para mim de guardar essas borboletas eternamente as mesmas, seria fixar o seu vôo instantâneo pela minha nota íntima equivalente...

Como com as borboletas, assim com todos os outros deslumbramentos da vida... De nada nos serve recolher o despojo; o que importa é só o raio que nos feriu, o nosso contato com eles... e este como que eles também o levam embora consigo."


Joaquim Nabuco, do prefácio à "Minha Formação"

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O bom de ser

O bom de ser
o que de melhor se pode ser
é aprender a não esperar
nada em troca
mas sempre receber de volta,
mesmo aos pouquinhos,
o melhor de cada um.

Em gratidão

Tanta coisa para agradecer...
a paciência,
a tolerância,
a confiança.

Sei que tento ser segura,
independente,
autônoma;
mas ouça o segredo:
as [boas] palavras
ainda têm o poder
de me mover
sempre pra frente.

sábado, 2 de outubro de 2010

Espere

Penso se há razão
para o titubear das minhas palavras,
para o oscilar da minha voz.

Há sentido no tremer
das minhas pernas,
no piscar nervoso dos olhos?
Além, há motivos para não olhar,
para o medo de encarar?

Não posso agir sem entender,
sem esclarecer
a dúvida infantil que me corrói;
apenas oro para que a solução venha
com a sensação etérea, mas serena,
de que me esperas,
de que aguardas pelo fim das incertezas,
de algum jeito,
em algum lugar.