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terça-feira, 7 de junho de 2011

Me disseram...

"O estado mais elevado de amor não é, de modo algum, um relacionamento: é simplesmente um estado do seu ser.

Assim como as árvores são verdes, aquele que ama é amoroso. Elas não são verdes apenas para determinadas pessoas: não é que quando você aparecer elas se tornam verdes.

A flor continua espalhando sua fragrância quer alguém apareça ou não, quer alguém aprecie ou não.

A flor não começa a liberar sua fragrância quando um grande poeta está se aproximando — "Bem, este homem apreciará, este homem será capaz de compreender quem eu sou".

E ela não fecha suas portas quando vê que uma pessoa estúpida, idiota, está passando por ali — uma pessoa insensível, obtusa, um político ou alguém parecido... Ela não se fecha — "Qual o sentido? Por que jogar pérola aos porcos?"

Não, a flor continua espalhando sua fragrância. Trata-se de um estado, não de um relacionamento."

Osho, em "Vida, Amor e Riso"

sábado, 8 de janeiro de 2011

Ano Novo






Parei por dez minutos para pensar
no que desejaria aos amigos no ano novo...
sentimento até sincero, frases freitas,
intenções repetidas.
O que há de novo para desejar àqueles que amo?

Parei por quarenta minutos para fazer
a habitual retrospectiva dos tropeços,
do que deu errado no ano velho...
Mesma coisa: mesmos erros, mesmos planos,
mesmo jeito, mesma espera de todos os anos...
O que há de novo para que eu faça?

Parei por uma hora para listar
minhas novas resoluções...
A dificuldade em torná-las diferentes das anteriores
me assusta...

Perdi duas horas, que não voltarão.

O que fazer para criar uma lista totalmente nova?
O que fazer para não lamentar, em doze meses,
as mesmas falhas?
A resposta está na pergunta...
Fazer, não perguntar.
A vida é muda.
E ela só muda, se eu me calar e decidir viver.

Aos amigos,
Feliz dia novo!
Recomeço todo dia.
Menos barulho, mais ação.

sábado, 2 de outubro de 2010

Espere

Penso se há razão
para o titubear das minhas palavras,
para o oscilar da minha voz.

Há sentido no tremer
das minhas pernas,
no piscar nervoso dos olhos?
Além, há motivos para não olhar,
para o medo de encarar?

Não posso agir sem entender,
sem esclarecer
a dúvida infantil que me corrói;
apenas oro para que a solução venha
com a sensação etérea, mas serena,
de que me esperas,
de que aguardas pelo fim das incertezas,
de algum jeito,
em algum lugar.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sobre o futuro



Nariz encostado na janela,
pergunta tremida, na ponta da língua:
- Pai, o que é o futuro?
Resposta aberta, mas não difícil de compreender:
- É um bichinho misterioso, que sempre teima em fugir da gente.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Fim[?] da Guerra

Obama declara o fim da guerra no Iraque e afirma que "é hora de virar a página"

*

"[...] ultrapassado o prazo de validade da culpa, vencido e vencedores podem
hoje contemplar o cenário da batalha e as pungentes fileiras de sepulturas, e
meditar sobre a estupidez humana, que infelizmente não prescreve."

VERISSIMO, Luis Fernando. "Sessenta Anos".
In: O mundo é bárbaro. Objetiva, 2008. p. 126.


*

"[...] procuremos respeitar as duas obrigações impostas a todos nós: não ignorar
nossa história conflitiva e não trair o ideal; pensar e agir com o firme
propósito de fazer com que a ausência da guerra prolongue-se até o momento em
que a paz seja possível - supondo que esse dia possa chegar."

ARON, Raymond. Paz e Guerra Entre as Nações. 1962.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Equilíbrio



Há uma linha fina da vida, um fio de seda,
que separa os extremos do comportamento.
Está, a sutil linha do equilíbrio, estrategicamente situada
entre o sonhar e o obcecar,
entre o cuidado extremo e a total exposição,
entre a passividade e a inconsequência,
entre a idéia e o absurdo.

Mas, será mesmo esta linha tão estreita?
Tênue corda bamba, onde poucos se arriscam...
Porém, nela não há mais riscos,
visto que no equilíbrio tudo está certo... está?
Pois sim!

Pergunto-me se sua espessura altera-se
pela distância;
é possível.
Assim, sua estreiteza deve-se à ilusão de ótica
de quem ainda tem muito para percorrer.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Escolha pessoal

Há sempre muitas trilhas possíveis
para quem faz e não só diz;
e já que encontrei meu conforto,
ora, não me olhe torto
se eu escolhi ser feliz!

Eu sabiaaaaa!!

"É preciso querer ser feliz e contribuir para isso."

Émile-Auguste Chartier

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Da particularidade de cada estrada




Não há como fugir:
haverá um dia em que você vai parar
e pensar no caminho que traçou;
pensar e procurar
motivos, justificativas, desculpas,
sua absolvição, ou sua culpa.
Vai procurar e questionar,
e enumerar todos os 'se' que puder;
se um tanto de coisas...
onde, com quem e como estaria agora?
Mesmo quem quer,
não pode fugir dessa hora.

Dessa vez eu não quis fugir,
não fugi;
pude então, pela primeira vez,
me sentar num alto e privilegiado lugar
que poucos alcançam, ou se dão conta
de terem alcançado;
de lá, percebo que estou onde, com quem e como
deveria estar;

sou quem sempre desejei ser,
mesmo quando ainda nem sabia disso.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sem títulos




Olhar hesitante, fito na janela:
a realidade é cortante,
causa medo, pudor e cansaço.

Olhar oscilante, através da janela;
esperança de infante,
calada, cativa, precisa de espaço.

Olhar vacilante, ultrapassa a janela;
percebe num instante:
enxergo o horizonte que faço.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Borboleta


Uma borboleta azul pousou em minha janela
e trouxe com ela um novo olhar,
uma contradição:
mais realismo diante da vida,
mais sonho para temperar a vida.

Uma borboleta azul pousou em minha janela
e trouxe com ela uma nova estratégia,
uma preparação:
é possível trazer o longe pra perto,
pra saudade ainda existe saída.

Uma borboleta azul pousou em minha janela
e trouxe com ela uma doce certeza,
uma revelação:
nada é pra sempre,
muito menos a distância;
não é o fim a partida...

Ainda é das minhas mãos o poder
de transformar o dia cinzento
em tarde multicolorida.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sui generis

"Mas um dos traços do gênio é não arrastar seu pensamento no carreiro traçado pelo vulgo"*

Meu maior desafio na vida é fugir dos rótulos,
do óbvio, do previsível,
daquilo que, aos olhares medíocres, é chamado de normal.

Sim, meu riso é mais alto e solto;
Sim, meus olhos falam, por vezes mais que minha boca;
Não, não meço palavras nem gestos quando digo o que penso.
Não se espante! Não faço questão de ser simpática.
Não me iludo com aplausos; apaixono-me ao despertar a fúria;
Não me afeto com agravos; o que me incomoda é a impassibilidade.
E mais que tudo: não simpatizo nem comungo com a imparcialidade.

Sou parcial e passional. Sou estranha e extraordinária.
Se quero, penso, arquiteto, imagino... e faço!
E não me encaixo. Ah, meu bem! Eu não me encaixo,
em nenhum conceito, em nenhuma fórmula.

Mais que ser amada, meu desejo é ser lembrada,
é ser olhada,
é intrigar, é desconsertar.
E mais: é fazer você pensar!
Ainda que seja mal de mim...

Pensar diferente. Fazer diferente.
Ser diferente.
O caminho que escolhi é minha cura,
e é meu veneno;
É minha alegria, e é minha dor.
E é um peso... olha, é um peso!
Peso que eu ainda carrego com graça,
e certa destreza, posso afirmar.

Não me preocupo com o que podem pensar de mim,
mas eu sempre, sempre espero uma resposta!
Ainda bem que ela sempre vem.
E vem com um gosto bom, seja resposta 'boa' ou 'ruim'.
Melhor sabor do mundo: gosto de não passar despercebido!
E eu saboreio... ah, eu saboreio!

É um deleite saber que não se é apenas mais um!

*Stendhal, O Vermelho e o Negro.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Levemente Absorta

Debruçada em minha janela
ouço o barulho das ruas:
carros, pessoas e pressa,
muita pressa.

Não é difícil deixar-me levar pelos pensamentos
aos momentos doces, às memórias marcantes,
lembranças cheirosas do meu caminho.
Fecho os olhos e, sem esforço, consigo
ouvir os risos, sentir os toques,
enxergar novamente o brilho em cada olhar,
em cada gesto;
cada detalhe carregado de tanto sentido.

Inspiro e expiro lentamente.
Sinto com clareza cada batida do meu coração.
Sorrio para o imenso céu azulado do início da noite
ao perceber que, talvez, nesse mundo inteiro
eu seja a única a não ter pressa.

Coisa boa nessa vida é ter algo para sentir saudade.


*******


E o menino com o brilho do sol
Na menina dos olhos
Sorri e estende a mão
Entregando o seu coração
E eu entrego o meu coração
E eu entro na roda
E canto as antigas cantigas
De amigo irmão
As canções de amanhecer
Lumiar e escuridão

E é como se eu despertasse de um sonho
Que não me deixou viver
E a vida explodisse em meu peito
Com as cores que eu não sonhei
E é como se eu descobrisse que a força
Esteve o tempo todo em mim
E é como se então de repente eu chegasse
Ao fundo do fim
De volta ao começo
Ao fundo do fim
De volta ao começo

(De Volta ao Começo, Gonzaguinha)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Guerra e Paz

"As discussões políticas e filosóficas em torno da ideia da paz, e sobre os meios de alcançá-la, são infindáveis.
A bem dizer, apenas sofrem um intervalo enquanto se travam as guerras, sempre mais fáceis de declarar.
Entretanto, a chave do problema é teoricamente simples, e pode ser encontrada no Antigo Testamento, Salmo 84, nº 11:
'A misericórdia e a verdade se encontraram: a justiça e a paz se beijaram. '
Resumindo: o outro nome da paz é justiça."

Carlos Drummond de Andrade