Mostrando postagens com marcador Palavras dos Outros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Palavras dos Outros. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de março de 2012

Agora eu acredito, Camus.

"Acredite: não há grandes dores, nem grandes arrependimentos, nem grandes recordações. Tudo se esquece, até mesmo os grandes amores. É o que há de triste e ao mesmo tempo de exaltante na vida. Há apenas uma certa maneira de ver as coisas, e ela surge de vez em quando. E por isso que, apesar de tudo, é bom ter tido um grande amor, uma paixão infeliz na vida. Isso constitui pelo menos um álibi para os desesperos sem razão que se apoderam de nós."
Albert Camus, em A Morte Feliz

domingo, 6 de novembro de 2011

Florbela

Canção grata

Por tudo o que me deste,
inquietação, cuidado,
um pouco de ternura,
é certo, mas tão pouca.
Noites de insónia
Pelas ruas como louca.
Obrigada, obrigada.

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão,
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui.
Sem ironia, aceita
A minha gratidão

Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste.
Mais forte e mais serena,
E livre e descuidada.
Sem ironia, amor, obrigada.
Obrigada por tudo o que me deste.

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão,
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui.
Sem ironia, aceita
A minha gratidão

Florbela Espanca


sábado, 27 de agosto de 2011

Novo vício

"Já te despedes de mim, Hora.
Teu golpe de asa é o meu açoite.
Só: da boca o que faço agora?
Que faço do dia, da noite?
Sem paz, sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora."

Rainer Maria Rilke
[traduzido por Augusto de Campos

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Quintana sabia da busca de todo poeta

"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como uma pobre lanterna que incendiou!"

Mario Quintana (1906 - 1994)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Me disseram...

"O estado mais elevado de amor não é, de modo algum, um relacionamento: é simplesmente um estado do seu ser.

Assim como as árvores são verdes, aquele que ama é amoroso. Elas não são verdes apenas para determinadas pessoas: não é que quando você aparecer elas se tornam verdes.

A flor continua espalhando sua fragrância quer alguém apareça ou não, quer alguém aprecie ou não.

A flor não começa a liberar sua fragrância quando um grande poeta está se aproximando — "Bem, este homem apreciará, este homem será capaz de compreender quem eu sou".

E ela não fecha suas portas quando vê que uma pessoa estúpida, idiota, está passando por ali — uma pessoa insensível, obtusa, um político ou alguém parecido... Ela não se fecha — "Qual o sentido? Por que jogar pérola aos porcos?"

Não, a flor continua espalhando sua fragrância. Trata-se de um estado, não de um relacionamento."

Osho, em "Vida, Amor e Riso"

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O momento único

"Esta manhã, casais de borboletas brancas, douradas, azuis, passam inúmeras contra o fundo de bambus e samambaias da montanha.

É um prazer para mim vê-las voar, não o seria, porém, pregá-las em um quadro... Eu não quisera guardar delas senão a impressão viva, o frêmito de alegria da natureza, quando elas cruzam o ar, agitando as flores. Em uma coleção, é certo, eu as teria sempre diante da vista, mortas, porém, como uma poeira conservada junta pelas cores sem vida... O modo único para mim de guardar essas borboletas eternamente as mesmas, seria fixar o seu vôo instantâneo pela minha nota íntima equivalente...

Como com as borboletas, assim com todos os outros deslumbramentos da vida... De nada nos serve recolher o despojo; o que importa é só o raio que nos feriu, o nosso contato com eles... e este como que eles também o levam embora consigo."


Joaquim Nabuco, do prefácio à "Minha Formação"

sábado, 2 de outubro de 2010

Par Perfeito

"Há quem prefira louros. Há quem prefira morenos. Há quem prefira surfistas,dermatologistas ou acionistas. Há quem faça questão de contas bancárias, há quem prefira apenas um amor e uma cabana.
Há quem tenha fixação por homens de terno... Existem as que gostam de figurinos perturbados,depressivos ou sociopatas. Há quem goste mesmo dos sensíveis,dos lindos-de-morrer. Dos que tenham um bom papo. Dos super cheirosos. E há quem tenha predileção pelos que acabam com a nossa auto-estima.
As opções não param e a gente acha que pode marcar um X e construir um homem perfeito: com ou sem barba. Magro,gordo ou sarado. Inteligente ou semi-burrinho. Blusa pra dentro ou pra fora da calça. Camisa de botão ou Havaianas.
Mas, peraí. Pra mim,tanto faz que seja louro ou moreno, alto ou baixo, melhor que goste de chinelos e faça um peixe gostoso, mas o que conta não é isso.
Se eu tenho um “tipo”,acho que nada mais é do que um cara que goste de mim. Que me admire, me assuma e seja guerreiro.
Porque – meus amores – eu não sou brincadeira!"

Fernanda Mello

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Fim[?] da Guerra

Obama declara o fim da guerra no Iraque e afirma que "é hora de virar a página"

*

"[...] ultrapassado o prazo de validade da culpa, vencido e vencedores podem
hoje contemplar o cenário da batalha e as pungentes fileiras de sepulturas, e
meditar sobre a estupidez humana, que infelizmente não prescreve."

VERISSIMO, Luis Fernando. "Sessenta Anos".
In: O mundo é bárbaro. Objetiva, 2008. p. 126.


*

"[...] procuremos respeitar as duas obrigações impostas a todos nós: não ignorar
nossa história conflitiva e não trair o ideal; pensar e agir com o firme
propósito de fazer com que a ausência da guerra prolongue-se até o momento em
que a paz seja possível - supondo que esse dia possa chegar."

ARON, Raymond. Paz e Guerra Entre as Nações. 1962.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Guerra...?



*Obs.: não sei se essa frase é mesmo do Kissinger... mas, de qualquer forma, é ótima! :)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Imperativos

É preciso seguir,
mesmo depois do tombo,
mesmo depois da falha.

É preciso perseguir
todo e qualquer sonho;
o que, nesse mundo, não é realizável?

É preciso conseguir
enxergar no escuro,
ouvir em meio ao barulho;
crer que quem perde mesmo
é o descrente;

Mesmo que continuar seja sobre-humano,
ainda é o que se faz de mais
inteligente.


***

"Sim, pode-se fazer a guerra neste mundo, macaquear o amor, torturar o
semelhante, frequentar as colunas dos jornais ou, simplesmente, falar mal do
vizinho enquanto se tricota. Mas, em certos casos, continuar, apenas continuar,
eis o que é sobre-humano."

Albert Camus, em A Queda.

Eu sabiaaaaa!!

"É preciso querer ser feliz e contribuir para isso."

Émile-Auguste Chartier

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Passionné par Camus

"Que significam aqui as palavras que falam de futuro, de maior bem-estar,
de situação? Que significa o progresso do coração? Se rejeito obstinadamente
todos os “mais tardes” do mundo, é porque se trata, da mesma forma, de não
renunciar à minha riqueza presente"
("O Vento em Djemila)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Aos [des]desiludidos

"Triste de quem fica desiludido(a) e evita outro amor de novo, cai no
conto, blasfema, diz “tô fora”, já era, tira onda, ri de quem ama, pragueja e
nunca mais se encontra dentro das próprias vestes.
Como se o amor fosse uma bodega de lucros, um comércio, como se dele fosse possível sair vivo, como nunca tivesse ouvido aquela parada de Camões, a do fogo que arde e não se sente, a da ferida, aquela, o Renato Russo musicou e tudo, lembra?

Triste de quem nem sabe se vingar do baque, sequer cantarola, no banheiro ou no botequim, “só vingança, vingança, vingança!”, o clássico de Lupícinio Rodrigues, o inventor da dor-de-cotovelo, a esquina dos ossos úmero com os ossos ulna (antigo cúbito) e rádio, claro, lição da anatomia e da espera no balcão da existência.
(...)

Não adianta chamar o garçom do amor e passar a régua para sempre por
causa de apenas um(a) sujeito(a) – como se representassem a parte pelo todo da
panelinha do mundo. O que não vale mesmo é eliminar o amor como proposta mínima na plataforma política de estar vivo.
Já pensou quantos amores possíveis, como diria Calvino, você estaria dispensando por essa causa errada? E quem disse que amor é para dar certo?

Amor é uma viagem. De ácido.
(...)

Sim, o amor acaba, se não você não entendeu ainda… Corra a ler o gênio mineiro Paulo Mendes Campos: em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Vamos esquecer a ilusão católica do até que a morte separe os pombinhos e viver lindamente o amor e o seu calendário próprio. Muitas vezes, não temos o amor da vida, mas temos um belo amor da quinzena, que, de tão intenso e quente, logo derrete. Foi bonito.

Vale tudo, só não vale o fastio e a descrença."


por Xico Sá, em Modos de Macho & Modinhas de Fêmea

quinta-feira, 1 de julho de 2010

"O certo é que, depois de longos estudos sobre mim mesmo, concebi a
duplicidade profunda da criatura. Compreendi, então, à força de remexer na
memória, que a modéstia me ajudava a brilhar, a humildade a vencer, e a virtude
a oprimir. Fazia a guerra por meios pacíficos e obtinha, enfim, pelo
desinteresse, tudo que cobiçava."

Albert Camus, em A Queda.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Homenagem de amiga

Sem razões

Conhecer desconhecendo as verdadeiras razões que une os corações;
não pode haver explicações ou fórmulas,
que consigam descrever o porquê de pessoas tão distintas formarem laços tão
fortes nesta vida.
Foi de repente; de imediato ou não;
Talvez aos poucos, fomos nos conhecendo e descobrindo,
que diferentes estrelas compõem o universo.

Entre uma fala e outra; há um tempo que celebra o silêncio;
no que não foi dito, mas pode ser entendido em uma simples troca de olhar;
então inúmeros risos ficam soltos no ar;
ninguém consegue entender; nem nada captar;
meras sugestões e confronto de opiniões;
contidos em uma sintonia impar.

Desculpas e apelos, verdades ditas, detalhes revelados e lágrimas escondidas;
vai concebendo e unindo diversas faces de uma mesma vida;
falar o que vem a mente,sem precisar pensar;
dizer o que se sente,sem medo de se mostrar;
apenas ficar quieta, mas sem se esconder.

Frases, gestos e expressões compõem o cotidiano de uma verdadeira amizade;
sem encobertar erros e sem proteção desmedida, pois que ama ensina,
aconselha e repreende;
ao mesmo tempo que conforta e entende.

E assim a união vai fazendo a força;
a força que nos une e faz entender;
que não é preciso razões nem consenso de opiniões;
para uma amizade florescer.


Rebeca Luíza Neves França*


-------------------------------------

*Rebeca é nosso chaveirinho, nosso 'baby'; mas como saem coisas lindas dessa cabecinha privilegiada!

Beca, você conseguiu nos traduzir como, acredito, nenhuma do nós conseguiria... o que me mostra que sua capacidade de enxergar as pessoas é apurada, profunda e extremamente fiel. Você nos surpreende... e como isso é bom!

Guardem! Ela ainda vai dominar o mundoooo! hehehe!

-------------------------------------

Aproveito e deixo beijo pras outras "bruacas" da minha vida (a gangue, objeto do penúltimo post): Aline, Jéssica, Lícia e Marianna.
Já somos mais que uma gangue... somos uma QUADRILHA!! Hahaha!

AMO VOCÊS!

Take it slowly


Não: devagar. Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.

Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...

Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?

Álvaro de Campos*


*Heterônimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 26 de maio de 2010

C'est la vie.

"L'homme est ainsi, cher monsieur, il a deux faces: il ne peut pas aimer sans s'aimer."

"O homem é assim, caro senhor, com duas faces: não consegue amar sem se amar."

Albert Camus, em "La Chute" ("A Queda)"

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Indagação

"Às vezes tenho idéias felizes,
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...
Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?..."

Álvaro de Campos
(Ficções do Interlúdio/4)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Guerra e Paz

"As discussões políticas e filosóficas em torno da ideia da paz, e sobre os meios de alcançá-la, são infindáveis.
A bem dizer, apenas sofrem um intervalo enquanto se travam as guerras, sempre mais fáceis de declarar.
Entretanto, a chave do problema é teoricamente simples, e pode ser encontrada no Antigo Testamento, Salmo 84, nº 11:
'A misericórdia e a verdade se encontraram: a justiça e a paz se beijaram. '
Resumindo: o outro nome da paz é justiça."

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Feminina

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.

- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

Costura o fio da vida só pra poder cortar
Depois se larga no mundo pra nunca mais voltar

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.

- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

Prepara e bota na mesa com todo o paladar
Depois, acende outro fogo, deixa tudo queimar

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.

- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

E esse mistério estará sempre lá
Feminina menina no mesmo lugar.

Joyce