Ou talvez meu inconsciente deseje uma simplificação das coisas. Foco e objetividade. De mal com o que me ilude, me atenho a aspereza do texto curto [ou não] e grosso, da palavra como ela é, sem rodeios ou figuras, sem usar a maquiagem do lirismo na cara lavada do dia-a-dia.
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Transição
Meu lado poético parece dormir no momento. Me vêm à cabeça muitas ideias e construções para textos que fogem àquela mínima estrutura que um poema pede.
sábado, 11 de junho de 2011
Falácia
Eu entendi a falácia do amor.
Ela teima em dizer que existe um modelo,
que foi predestinado,
que é romântico,
que será pra sempre.
Nosso traço maior,
que é a exclusão,
transforma o imperfeito em não-amor,
em distração,
em acidente.
Falácia das falácias,
esperar seu príncipe, ou sua princesa,
cavalo branco, carruagem
e outras estórias.
Tolice das tolices pensar no perfeito,
sonhar o perfeito, esperar o perfeito.
O amor perfeito permanece na ideia.
Na vida real, só o imperfeito
nos pertence.
Ela teima em dizer que existe um modelo,
que foi predestinado,
que é romântico,
que será pra sempre.
Nosso traço maior,
que é a exclusão,
transforma o imperfeito em não-amor,
em distração,
em acidente.
Falácia das falácias,
esperar seu príncipe, ou sua princesa,
cavalo branco, carruagem
e outras estórias.
Tolice das tolices pensar no perfeito,
sonhar o perfeito, esperar o perfeito.
O amor perfeito permanece na ideia.
Na vida real, só o imperfeito
nos pertence.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
O que faz valer a pena?
O momento singular
e só nosso,
tão puro,
tão efêmero.
Fica na mente,
na pele,
no som da respiração;
fica pra sempre
a sensação
de que viver,
de que estar
e experimentar
faz do obstáculo
um pequenino detalhe.
e só nosso,
tão puro,
tão efêmero.
Fica na mente,
na pele,
no som da respiração;
fica pra sempre
a sensação
de que viver,
de que estar
e experimentar
faz do obstáculo
um pequenino detalhe.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
O bom de ser
O bom de ser
o que de melhor se pode ser
é aprender a não esperar
nada em troca
mas sempre receber de volta,
mesmo aos pouquinhos,
o melhor de cada um.
o que de melhor se pode ser
é aprender a não esperar
nada em troca
mas sempre receber de volta,
mesmo aos pouquinhos,
o melhor de cada um.
Em gratidão
Tanta coisa para agradecer...
a paciência,
a tolerância,
a confiança.
Sei que tento ser segura,
independente,
autônoma;
mas ouça o segredo:
as [boas] palavras
ainda têm o poder
de me mover
sempre pra frente.
a paciência,
a tolerância,
a confiança.
Sei que tento ser segura,
independente,
autônoma;
mas ouça o segredo:
as [boas] palavras
ainda têm o poder
de me mover
sempre pra frente.
sábado, 2 de outubro de 2010
Limites
"... assim, eu percebo que é a vida, e não a morte, que não tem limites."
(da obra "O Amor nos Tempos do Cólera")
(da obra "O Amor nos Tempos do Cólera")
sábado, 18 de setembro de 2010
Percepções Alteradas
Forte e incômoda sensação de que a felicidade é teoricamente fácil de encontrar
e praticamente difícil de fazer ficar.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Sobre o futuro

Nariz encostado na janela,
pergunta tremida, na ponta da língua:
- Pai, o que é o futuro?
Resposta aberta, mas não difícil de compreender:
- É um bichinho misterioso, que sempre teima em fugir da gente.
Ele existe?
Você,
já parou para se perguntar se o futuro existe?
Essa coisa que a gente persegue,
que a gente planeja, arquiteta;
o tal sujeito pra quem a gente deixa tudo
que não quer ou não pode fazer agora...
Existir, ele existe, penso eu.
Mas eu nunca alcanço, nunca chego lá,
nele, no tal de futuro.
O presente...
é o que eu tenho; e não por muito tempo,
pois esse é também afoito ao escapar das mãos.
Esse é o meu tempo, é o que posso experimentar,
é onde posso exprimir dor e alegria,
e prazer... prazer em viver, em permitir-me sorver
cada dia de sol, de chuva, os perfumes e as cores,
que, sabe Deus, podem não ser tão vivas nesse tal futuro.
É...
acho que eu é que não quero estar
ao alcance do tempo.
já parou para se perguntar se o futuro existe?
Essa coisa que a gente persegue,
que a gente planeja, arquiteta;
o tal sujeito pra quem a gente deixa tudo
que não quer ou não pode fazer agora...
Existir, ele existe, penso eu.
Mas eu nunca alcanço, nunca chego lá,
nele, no tal de futuro.
O presente...
é o que eu tenho; e não por muito tempo,
pois esse é também afoito ao escapar das mãos.
Esse é o meu tempo, é o que posso experimentar,
é onde posso exprimir dor e alegria,
e prazer... prazer em viver, em permitir-me sorver
cada dia de sol, de chuva, os perfumes e as cores,
que, sabe Deus, podem não ser tão vivas nesse tal futuro.
É...
acho que eu é que não quero estar
ao alcance do tempo.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Clichê II
Experimentar a vida é se expor
ao ridículo, sem tomá-lo como tal;
é ser bobo com graça!
É não ter medo de ser banal,
é entender que tudo passa...
Experimentar, deixar fluir,
deixar viver...
desconfio que é assim
que funciona
ao ridículo, sem tomá-lo como tal;
é ser bobo com graça!
É não ter medo de ser banal,
é entender que tudo passa...
Experimentar, deixar fluir,
deixar viver...
desconfio que é assim
que funciona
Clichê I
Posso pedir?
Não diz que quer, que precisa,
que adora, que venera;
isso soa tão efêmero.
Diz que gosta;
gostar é sereno, é tranquilo.
'Eu gosto' pode, mansinho,
soar até como um tipo de
'acho que é pra sempre'.
Não diz que quer, que precisa,
que adora, que venera;
isso soa tão efêmero.
Diz que gosta;
gostar é sereno, é tranquilo.
'Eu gosto' pode, mansinho,
soar até como um tipo de
'acho que é pra sempre'.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Percepção
Crescer implica encarar uma verdade:
os sentimentos - sejam eles bons ou ruins - têm sono leve.
os sentimentos - sejam eles bons ou ruins - têm sono leve.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Imperativos
É preciso seguir,
mesmo depois do tombo,
mesmo depois da falha.
É preciso perseguir
todo e qualquer sonho;
o que, nesse mundo, não é realizável?
É preciso conseguir
enxergar no escuro,
ouvir em meio ao barulho;
crer que quem perde mesmo
é o descrente;
Mesmo que continuar seja sobre-humano,
ainda é o que se faz de mais
inteligente.
***
mesmo depois do tombo,
mesmo depois da falha.
É preciso perseguir
todo e qualquer sonho;
o que, nesse mundo, não é realizável?
É preciso conseguir
enxergar no escuro,
ouvir em meio ao barulho;
crer que quem perde mesmo
é o descrente;
Mesmo que continuar seja sobre-humano,
ainda é o que se faz de mais
inteligente.
***
"Sim, pode-se fazer a guerra neste mundo, macaquear o amor, torturar o
semelhante, frequentar as colunas dos jornais ou, simplesmente, falar mal do
vizinho enquanto se tricota. Mas, em certos casos, continuar, apenas continuar,
eis o que é sobre-humano."Albert Camus, em A Queda.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Das intenções
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Decisão

Depois de muito pensar, ela decidiu
que era melhor não mais pensar,
não desejar pensar;
não desejar.
Encantar-se, envolver-se, desenvolver:
energias gastas com sentimentos unilaterais
que jamais tornariam à fonte;
tormentoso convívio com um espectro
do possível.
Não. O melhor é não pensar.
Que a tarefa seja receber, sem antecipações,
sem engenhos;
tomar as oportunidades de cada dia;
cada momento em seu tempo;
construir e desconstruir um detalhe por vez.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Indagação
"Às vezes tenho idéias felizes,
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...
Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?..."
Álvaro de Campos
(Ficções do Interlúdio/4)
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...
Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?..."
Álvaro de Campos
(Ficções do Interlúdio/4)
terça-feira, 11 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Particular
Olho ao redor, olho pra mim.
Busco a compreensão do mundo que me cerca,
sem antes decifrar o universo que há em mim
mesma.
Não dá certo. Como poderia?
A viagem da vida é de dentro pra fora.
Busco a compreensão do mundo que me cerca,
sem antes decifrar o universo que há em mim
mesma.
Não dá certo. Como poderia?
A viagem da vida é de dentro pra fora.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Eu e a indiferença
De repente, um punhado de páginas me move do chão.
Linhas desconsertantes me fazem pensar em coisas que me eram estranhas, quase nulas.
Seria a vida uma simples banalidade, a qual damos demasiada importância?
Seria a existência tão vazia de sentido,a ponto de nos causar desespero e nos fazer buscar motivos, valores, densidade e eternidade para algo que, na verdade, é efêmero e incompreensível?
Seria eu estrangeira também? Creio, somos todos nós.
Estrangeiros. Estranhos. Diferentes, a princípio. Indiferentes, sempre.
***
"Como se essa grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziando-me de esperança, diante dessa noite carregada de sinais e de estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Por senti-lo tão parecido comigo, tão fraternal, enfim, senti que fora feliz e que ainda o era."
(O Estrangeiro - Albert Camus)
Linhas desconsertantes me fazem pensar em coisas que me eram estranhas, quase nulas.
Seria a vida uma simples banalidade, a qual damos demasiada importância?
Seria a existência tão vazia de sentido,a ponto de nos causar desespero e nos fazer buscar motivos, valores, densidade e eternidade para algo que, na verdade, é efêmero e incompreensível?
Seria eu estrangeira também? Creio, somos todos nós.
Estrangeiros. Estranhos. Diferentes, a princípio. Indiferentes, sempre.
***
"Como se essa grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziando-me de esperança, diante dessa noite carregada de sinais e de estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Por senti-lo tão parecido comigo, tão fraternal, enfim, senti que fora feliz e que ainda o era."
(O Estrangeiro - Albert Camus)
Descoberta Agridoce
As pessoas podem se esquecer da cor do seu cabelo, sua altura, seu peso...
Podem nem fazer idéia de quantos anos você tem, quantos filhos, quantos amores...
Ninguém liga muito pras boas verdades ou pequenas mentiras que você diz.
Na boa, o que você diz é apenas o que você diz.
O seu "orkut" pode te mostrar como o que você quiser ser... quem se importa?!
Porque na verdade, na verdade mesmo... o que fica é o que você faz. De bom ou de ruim.
As pessoas vão se lembrar do seu talento, ou sua incompetência. Da sua atitude, ou da sua apatia. Das marcas positivas que deixou, ou das cicatrizes dolorosas que causou.
Portanto pense, mude, aprenda. E principalmente, faça algo que valha a pena ser lembrado. Pra sempre.
Podem nem fazer idéia de quantos anos você tem, quantos filhos, quantos amores...
Ninguém liga muito pras boas verdades ou pequenas mentiras que você diz.
Na boa, o que você diz é apenas o que você diz.
O seu "orkut" pode te mostrar como o que você quiser ser... quem se importa?!
Porque na verdade, na verdade mesmo... o que fica é o que você faz. De bom ou de ruim.
As pessoas vão se lembrar do seu talento, ou sua incompetência. Da sua atitude, ou da sua apatia. Das marcas positivas que deixou, ou das cicatrizes dolorosas que causou.
Portanto pense, mude, aprenda. E principalmente, faça algo que valha a pena ser lembrado. Pra sempre.
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